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6 de julho de 2015

Sobre amizades que engolem distâncias

Caro F.,

Está tudo bem?

Apesar do abismo de ausência que nos separa por vezes, acredito que nossa amizade já possui edificações o bastante para não desabar como um castelo de cartas em seu primeiro assopro. Imagina se assim o fosse? Não poderíamos mais conversar sobre um milhão de livros e tomar sorvete, e essas são duas das melhores coisas a se fazer no mundo e não poderíamos perder essa chance por mera bobagem como a distância. 

Sabe, queria te contar que a vida por aqui está uma primavera no meio de um inverno. Morninha, com partes floris e cheia de cor. Ás vezes esfria e tenho que colocar um casaco, mas nada que um bolo de chocolate não resolva para alegrar as coisas. Também queria dizer, antes que me falhe a memória, que não me esqueci do quão importante é o dia de hoje para você. Espero que o seu cenário seja cheio das pessoas que mais ama, decorado com a paz de alguém que a merece, e que tenha uma rede de tom chocolate para colocar todos os bons sentimentos existentes por aí que lhe forem desejados nessa ocasião. Por favor, não esqueça de vigiá-los! Eles escorrem por entre os dedos em sua primeira oportunidade, mas estou certa de que não fazem por mal. Sentimentos são como crianças e gostam de explorar o que lhes rodeia, nós só temos que assegurar nossa presença nas proximidades e tudo ficará bem. 

É claro que eu não poderia terminar essa carta sem antes te enviar mais algumas saudações. Oras, o que faria eu com as caixas de alegria, os sachês de sorte e os lotes de força de vontade? Eles foram embrulhados com o tempo para todas as viagens que você quiser fazer nessa nossa grande casa redonda e azul. Aliás, estou enviando por pombo-correio, então talvez demorem alguns dias.

E, assim que puder, abrace esse presente em forma de palavras que já está batendo em sua porta e dançando na frente de seus olhos, porque elas são o que tenho de mais valioso por aqui.

Com desejos de muitos biscoitos de chocolate,

A.

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