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7 de fevereiro de 2015

Um quê de humanidade



Sabe, um dos meus hobbies preferidos é o de observar as pessoas e adivinhar quem são elas.

Me questiono se pensam no quanto irão gastar nas compras de natal, se gostam de sushi ou se seriam capazes de largar tudo por amor. Às vezes converso, descubro seus dons, suas vontades. Essa é a minha parte favorita, sabe. Quem é você?, pergunto pelas entrelinhas. E elas abrem, muitas vezes sem querer, um leque das mais variadas opções.       

O segredo, digo-lhe eu, é não perguntar diretamente. Ninguém nunca percebe como sabe quem é. Alguns nem querem enxergar, porque assim veriam como estão distantes de tudo o que realmente lhes importa e só pensar em todo o empenho que precisariam empregar na mudança já cansa.

Uns parecem personagens de livros que li. Outros são tão surpreendentes que preciso piscar três vezes para assimilar a informação. Quero dizer, ‘cê acertaria que o próximo passo daquele garoto-skatista é fazer gastronomia? Ou que aquela moça, que aparenta ser vinte anos mais jovem do que é e adora pulseiras, toca acordeão? Como seria possível imaginar que aquele homem, aquele que se esforça para falar o mínimo possível e sempre sai de fininho, já viajou para os mais variados locais do mundo?

Como vê, não é tão simples. E eu nem contei os clichês! Aquelas histórias que se assimilam a cenas de novelas e são tão comuns que nem parecem reais, só que são. Bem estilo gente-interiorana-que-vem-pra-cidade-grande-conquistar-a-vida-mas-tudo-vira-de-ponta-cabeça. Nem todos os finais são felizes, é claro. E um bocado ainda nem chegou ao seu final.

Dentro de todo esse contexto ainda existem aqueles que caminham pelo meio fio ou o fazem nas pontas dos pés, como se o andar fosse um passo de dança. Há aqueles que, sentados com seus fones-de-ouvido, também olham de relance para as outras pessoas que passam e se perguntam quem elas são. Se estão indo para onde gostariam de ir. Se fazem o que, quando criança, sonharam. Se acaso se questionam sobre a vida “real”, como os adultos dizem. Dá para viver nessa realidade e ainda enxergar as cores, pular de paraquedas, sonhar com dragões, estar com quem gosta e trabalhar no que quer?

Imagino como devem estar cansados de fazer essas mesmas perguntas para o vento, sem nenhum assobio a não ser chuva, em resposta.

E, enquanto isso, eu me mantenho aqui, pensando em como vou descobrir se aquele rapaz que cruza comigo na rua de casa três vezes por semana realmente tem uma banda de rock, como eu, em meus jogos de adivinhação, poderia jurar que tem.

4 comentários:

Samantha Coelho disse...

Acordeão. <3

Adoro esse jogo de saber para onde as pessoas estão indo ou o que elas fazem e se estão felizes ou não... rs

Lindo <3

Dine disse...

Sim, acordeão é tão amor que nem acreditei quando descobri <3

Mattos disse...

Também me questiono ocasionalmente, sobre o céu, as nuvens e por que parece que tudo fica mais fácil durante dias ensolarados e por que o entardecer sempre me faz sentir saudades. Me questiono sobre o que seria do cimento das calçadas se de hoje em diante eu quisesse apenas sentir meus pés em grama. Me pergunto sobre quão bonito seria o quarto daquela garota de sorriso calmo, será que ela gosta de dançar quando está a sós em companhia de uma canção de tanto tempo atrás? Em meio a tantos questionamentos, passado, presente, presente mesmo é ler esses seus achados... Apelido-os assim porque adoro a ternura de seus textos.

Dine disse...

Sabe, comentários assim acertam o coração e dão vontade de escrever mais, só para ver se a pessoa que comentou aparece mais vezes por aqui, pode isso? haha também é maravilhoso ver, por vezes, como a reflexão sobre um escrito pode ser mais bonita do que o mesmo. Obrigada!

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