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13 de abril de 2014

Às avessas

Querido amigo,

Você me pergunta quem sou com a mesma naturalidade com que tomo chá no café da manhã. Pede para que eu me defina como se apenas essa amostra de como eu me vejo pudesse definir a personalidade com que me enxerga. Crê que existe um padrão em que possa me classificar apenas pela forma como me movo ao andar.

Pois bem, já que insiste, uma característica minha: não gosto de ser definido por tipo. Não quero lhe contar, com a maior sinceridade do mundo, se sou adepto de dias cinzentos (amo-os da mesma maneira que bolo de chocolate) ou se prefiro gatos a cachorros (a título de curiosidade: tenho um apreço por gatos, mas tenho um cachorro) somente para que, com isso, você diga se sou extrovertido ou não (não sou).

Eu não posso ser ambos? E se eu desejar ser o que quiser e não como, de fato, sou? Não tenho o direito de lhe pedir apenas para que me leia sem que me julgue a partir do que inocentemente lhe narro? E se eu preferir não ser definido por gênero para que, assim, perceba minha força real e não a generalizada? (fisicamente não sou forte, mas gosto de pensar que meu psicológico está bem, obrigado).

E se eu não aceitar lhe dizer minha classe social para que não me construa a partir de estereótipos? Se eu tiver consciência de que em minhas frases o "não" possui maior prevalência do que o "sim", isso mudará sua visão de meu caráter?

E se eu pedir para que não me avalie por não gostar da cor vermelha - apesar de usá-la com frequência - ou o que quer que eu seja por meu favoritismo decair sobre a púrpura?

Sobre as flores!, você dirá que sou doce ou amargo (gosto de agridoce) se eu lhe contar que amo violetas?

Quem sabe, amigo, dirá que não tive uma infância agradável (na realidade, ela foi bem legal) por, desde pequeno, criar histórias com bonecos que tardiamente foram deixados de lado em pró das palavras.

Afirmará que sou o filho conciliador por ser a cria do meio ou o responsável por ser o mais velho? (sou o do meio e, sim, sou o mais responsável). Se puder suprimir minha curiosidade, o que escreverá sobre o fato de eu ser canhoto?

Se eu lhe falar que não desejo filhos, mas que já sei seus nomes? Que acredito que a família que tenho é importantíssima, mas que a deixaria sem pensar duas vezes na primeira oportunidade de conhecer o mundo?

O que você diria?
(suplico que não me conte, isso me tornaria limitado).

Finalmente, digo-lhe que prefiro não lhe narrar quem sou, mas peço-lhe tranquilidade, pois já defini quem quero ser.

2 comentários:

Djiuliany Larissa disse...

Mas que amô Dine *-*

Dine disse...

Obrigada, Djiuks <3

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