Pages

10 de novembro de 2013

Partida

parte paralela de Um Tributo a Violetta
um dia te conto a história inteira.

Caro garoto arco-íris,

Nunca precisei dizer a ninguém sobre você para que ficasse explícito que era meu platônico. É muito difícil encontrar uma pessoa que não ame ninguém de verdade, sabe. E é mais difícil ainda deixar de amar alguém com quem você nunca conviveu. Como poderia eu retirar você de meu pedestal de vidro se não conheci seus defeitos? Como perceberia que é feito de carne, ossos e coração pulsante se nunca cheguei, de fato, a te construir humano?

            Não se engane. Não te idealizei como um príncipe encantado. Ainda assim, não quer dizer que meu amor não seja tão falso quanto ele.

            Garoto, eu preciso pedir desculpas e espero que me perdoe, mas você é feito de ilusões. Te imagino, sim, com cicatrizes resultantes das rasteiras da vida, mas elas são bonitas. E é aí que eu erro. Como diria o personagem de um autor que gosto muito: eu não quero morrer sem cicatrizes. E eu realmente não quero. Só que cicatrizes não são bonitas, elas são amargas. Doloridas até nas lembranças, sabe? Pelo menos as que valem a pena.

            Eu também te fiz como meu refúgio; meu balanço num fim de sábado qualquer. Porque é quando eu mais me lembro de você e de como sou distante em tudo o que envolve, de fato, sentir. Sábados e terças-feiras e a linha tênue entre a nostalgia e a tristeza.

            Sabe, sou quase moradora do Vale do Silêncio. Não me lembro da última vez que falei para qualquer pessoa sobre você ou qual foi a última carta que cheguei a escrever-te. Hoje, me arrependo por algum dia ter te transformado em voz e transferido suas características para outrem. Peço que não me entenda por possessiva, se pararmos para analisar, tudo o que fiz foi transbordar por aí a sua cópia malfeita de como te via. No entanto, não vou pedir desculpas por ser tão quieta a respeito de sua existência, porque sei que é do mesmo jeito que eu.

A verdade é que não vou deixar de sentir amor por você enquanto me lembrar de sua presença. E, por sorte, justamente por culpa da convivência que me impediu de te ver como é, ela também é a responsável por seu esquecimento aos bocados. Você entende o quero dizer? Não é de minha natureza deixar de te amar, mas sou humana e posso te esquecer.

            Apenas espero que garoto-sem-cor faça o mesmo para comigo,
Violetta.

6 comentários:

Huirian Suzin disse...

fofo e lindo

Dine disse...

Obrigada <3

M. Deméter disse...

"Garoto, eu preciso pedir desculpas e espero que me perdoe, mas você é feito de ilusões."

"Só que cicatrizes não são bonitas, elas são amargas. Doloridas até nas lembranças, sabe? Pelo menos as que valem a pena."

"E é mais difícil ainda deixar de amar alguém com quem você nunca conviveu." e "E, por sorte, justamente por culpa da convivência que me impediu de te ver como é, ela também é a responsável por seu esquecimento aos bocados."


Tentei não quotar tudo. Puts, eu tinha esquecido como era ler coisa sua, de verdade. Esse gostinho de quero mais que te faz ir pro próximo e depois pro próximo até o tempo acabar ou os olhos começarem a arder.
Me perdoa por esquecer de te ler? Orgulhão de ter uma amiga tão top, sério, de saber que posso te chamar qualquer momento para conversamos sobre vivians e violettas e fadas e gatos.

<3

Dine disse...

Gente, que comentário mais lindo!!! Cê tirou o dia pra tentar me fazer chorar, é? E se você diz isso sobre mim, não tem ideia de como é te ler, é! E nós sempre poderemos conversar sobre vivans, violettas, fadas, gatos, criaturas e tudo que existe de mágico no mundo <3

Luiz Miguel disse...

"É muito difícil encontrar uma pessoa que não ame ninguém de verdade, sabe."

Concordo com a guria ali de cima, e faço do comentário dela meu, mas ressaltando ao estilo de Hemingway que odeio seus textos por pura inveja (de todos meus pecados o mais mesquinho)

Dine disse...

Hemingway me lembra O Sol Também Se Levanta, que me lembra que não foi das minhas leituras mais felizes, mas acontece. E só não consigo entender a origem da inveja, senhor Luiz! Aliás, obrigada pela visita!

Postar um comentário