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17 de agosto de 2013

Garotos de Vidro


Estão me roubando, me levando aos pedaços,
me jogando aos aplausos
sem pés no chão.
Estão me forjando
aos gritos e berros,
um monstro ao avesso
com cheiro de flor.
Solto o provérbio, formo epitáfio,
sou relicário, pois não.
Resto jasmim no caminho:
Aqui, jaz a mim.

Num compasso desmarcado;
com passo demarcado,
já não posso viajar.
Embaixo da terra,
a vista é incerta
o tempo esquecido,
e o destino é um só.

O monstro pede:
não se preocupe,
nenhum negrume
jamais virou pó.
E ele é tão de vidro!
como você
prefere viver.

Porque nós somos garotos de vidro
e não pedimos socorro.
Porque ela era,
porque ele era
(sem dúvida).
Porque somos todos
Garotos de Vidro
E não precisamos de ajuda.

Imploramos redenção. 

6 comentários:

Huirian Suzin disse...

Amei!
Parece até alguma musica. Faz um favor aos corações alheios, escreve mais, porque tá divino.

M. Deméter disse...

Dinoca <3 coisa mais linda. <3 e a sonoridade dele tá linda também. adorei. *-*

Dine disse...

Que comentário mais lindo, Huirian! Cê não tem noção de quanto fiquei feliz com a comparação com uma música, sério. Obrigada.

Dine disse...

Maah <3 você também gostou da sonoridade, agora sou uma pessoa duplamente feliz!

Samantha Coelho disse...

Com certeza um dos seus melhores poemas, Filha! To aqui babando! Você tem disso de colocar mais histórias nos poemas do que apenas sentimentos, isso faz deles aqueles poemas de gigantes. E sim, parece uma canção. Daquelas que poderiam contar um filme... *-*

''Embaixo da terra,
a vista é incerta
o tempo esquecido,
e o destino é um só.

O monstro pede:
não se preocupe,
nenhum negrume
jamais virou pó.
E ele é tão de vidro!
como você
prefere viver.''

Lindeza!

Dine disse...

"isso faz deles aqueles poemas de gigantes."

Essa sou eu querendo muito te dar um abraço. Cê não tem noção de como cê me deixa feliz com seus comentários, moms. Muito, muito obrigada <3

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