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27 de novembro de 2012

Querida moms,


(Para Sammie, ela sabe o porquê)

                Ainda lembro-me do dia em que expus minha vontade de voltar a enviar cartas tradicionais em papéis à minha escolha e à cor de caneta que assim desejasse. Lembro-me como sugeriu que não se importaria em recebê-la e creio que sabia muito bem que não precisaria dizer duas vezes.

                Sei que dessa forma que a entrego não é como gostaríamos; com o anseio pelo correio chegando, os dedos nervosos ao tentar abrir com cuidado o envelope. No entanto, também me conheço bem e sabia que esta carta não chegaria para o seu aniversário (talvez no natal do ano que vem, como Micael bem sabe, pode perguntar-lhe). Por isso, encontrei um meio mais moderno para que saiba o que está escrito, esquecendo-se do valor sentimental que o objeto em si teria.

                Entenda, nunca imaginei que meu presente seria uma carta. Já tinha à vista outra coisa - que provavelmente seria, como costumo falar, mais manera -, todavia em uma piada um tanto cruel da minha mente, eu a esqueci em absoluto.

                Mandando lembranças à Morte em a menina que roubava livros: não consigo lhe explicar a intensidade de minha decepção comigo mesma.  A saída, como pôde ver, está aqui. Porque você sempre merecerá mais do que qualquer um será capaz de dar.

                Sabe, é tão estranho tentar lembrar como tudo começou. Só sei que eu não tinha família e você me adotou, da mesma maneira dos meninos perdidos do Peter Pan. Acabei virando a primogênita mesmo sem ser de verdade e a brincadeira se aprofundou até você realmente se tornar minha segunda-mãe-amiga-irmã-prima-sei-lá-o-que-mais. Os laços se tornaram sólidos.

                Daí chegou o dia em que a gente se conheceu na realidade. É estranho, mas com a maioria das pessoas é ao contrário. Elas se conhecem em aparência e, depois, se tiverem interesse conhecem o coração. Talvez estivesse aí uma das magias da hpbf. Ninguém estava interessado se uma pessoa era bonita ou feia, rica ou pobre. O que interessava eram as palavras e os sentimentos que elas traziam. O que era, em consequência, a essência do escritor.

                Com os estudos, nós acabamos por ficar meio afastadas (muito mais do que a distância de um Brasil), quase sem conversar. Os horários não batiam. Sempre, no entanto, deu para perguntar se estava tudo bem e dizer o tamanho da saudade. Apenas guardando tudo para os dias mais disponíveis.

                Hoje, venho aqui para dizer que mais um ano se passou e você está envelhecendo tão rápido que daqui a pouco não vai mais conseguir enxergar. Mas não se preocupe, como sua filha, não me esquecerei de lhe inscrever no clube da maior idade (brincadeirinha, moms).

                Venho para desejar-lhe feliz aniversário. As maiores felicidades desse e de todos os outros mundos que sabemos que existem. Que nunca falte sorvete de flocos e que algum dia você possa me levar na sua mala à Austrália.

                Venho para desejar-lhe a realização de seus sonhos e muita inspiração. Porque um dia ainda serei a primeira a madrugar na porta de livrarias para levar o mais novo best-seller autografado e um abraço da autora. Garanto, vou olhar feio para todo mundo que vier de sorrisinhos para você e direi: nem venham, seus descarados, conheci primeiro. Ela é só minha mãe (e de meus seis irmãos, mas vou esquecer eles nesse momento, não leve a mal).

                E venho principalmente para lhe desejar todo o amor do mundo e para completar dizendo que te amo. Porque será piegas, mas nós sabemos que todo o resto se consegue no jeitinho se tivermos amor.

                Com carinho e um muito obrigada por existir,

Dine-Amanda-Pudim-Outro-apelido-bacana-que-esqueci.

8 comentários:

Samantha Coelho disse...

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaawn. podia chorar, filha?
amei a carta <3 <3 <3 <3
guardei ela pra sempre já... enquanto eu lia também fiquei relembrando toda nossa história, o quanto quanto mais nos conhecíamos, mas nossa amizade aumentava :')
te tenho como uma filha-amiga-irmã-sei lá mais o quê também, e eu guardo pra sempre esse laço que criamos, pois sei que além de único é MUITO importante pra mim <3

te amo, filha primogênita coelhinha mais linda <3 [][][][]

Dine disse...

Nhá, que linda você <3 e não tenho como não guardar para sempre esse laço que também é muitíssimo importante para mim.

(te amo mais, sabecomoé)

Rai disse...

Porque eu tinha que deixar gravado aqui que eu li, e morri de inveja da Sam.
Sou dessas invejosas e ciumentas -t

Mas amo as duas <3

Dine disse...

Raizoca, sua linda. Nem precisa ter inveja, bobinha, amo você too <3

Micael Auler disse...

Eu amei essa carta. Me identifiquei muito porque todos nós sentimos o mesmo um pelo o outro, e a saudade é enorme.
Muito bom ler esse texto.

Dine disse...

Hey, Micz *-----*

Como é divo te ver por aqui! Obrigada, seu lindo.

Samantha Coelho disse...

Essa sou eu vindo reler a carta sem antes reler o comentário que deixei. Muito bom poder voltar por aqui e perceber que chorei da mesma forma que chorei quando li a primeira vez. Talvez até mais. Por ter esse apoio incondicional de você, filha. Saiba que é extremamente importante pra mim. <3

e é muito bom saber que nosso contato/confiança aumenta cada vez mais. <3 amo você <3

Dine disse...

Ain, moms. Não chore! Nem sei medir o quanto cê é importante em palavras, sério.
Eu também amo você. <3

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