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1 de setembro de 2012

Feliz aniversário


(Para Juh e Lipe, os aniversariantes mais lindos de setembro <3)

Os olhos se abrem em um instante, o sonho se esvai aos poucos – triste, sabe que não há lugar para ele em outra dimensão –, a menina se levanta com cuidado. O medo do desequilíbrio diário recorrente ao acordar e mudar de realidade bruscamente. Sabia que em seu outro mundo existiam laços de fita que dançavam e rouxinóis que cantavam...

                Uma pena que não pudesse continuar deitada, lembrando-se dos detalhes e acariciando as asas mais belas que já vira. Precisava cuidar de seus deveres de boa cidadã, engolir o café da manhã e partir para a jornada rotineira que lhe estressava.

                Não havia ninguém dentro da casa que pudesse desejar-lhe “feliz aniversário”. Mas a menina já havia recebido três mensagens, duas ligações e 24 recados em suas redes sociais. Era o que bastava. Sua mãe havia deixado em cima da mesa da cozinha um bolo de canela com um desenho de coração e uma xícara de chá que, por conta do tempo, havia esfriado.

                Não ligou, pegou-os e saiu apressada porta afora. O ônibus em tom cinzento, meio desbotado, logo chegou. E os fones de ouvido já estavam no volume máximo. Tinha um lugar quase marcado como seu, o que era típico de transportes públicos que não eram lotados.

                Sentou-se e saboreou seu presente, ao som de uma melodia indefinida a estranhos que não integravam sua dimensão particular.

                Na saída, tudo ocorreu como o combinado, aparentemente não havia ninguém para subir, a parada de ônibus era só dela. Limpando os dedos ainda um pouco açucarados por conta do doce, não notou um indivíduo correndo em desespero para não perder o veículo e, consequentemente, aquela terrível prova de matemática que lhe aguardava.

                O encontro dos corpos não pôde ser evitado. Caíram no gramado lamacento por conta da chuva do dia anterior. O ônibus se foi, assim como os fones e qualquer indício de limpeza que poderia existir.

                A troca de palavras feias foi mútua, mas o espírito dela era divertido demais para ser tomado pela irritação. E o dele era calmo demais para odiar. O que acabou resultando em risadas da situação horrenda que acabaram por se encontrar.

                Não poderiam preencher aquela semana com amargura e sentimentos ruins, então apenas riram do momento, se desculparam e ele se foi quando o próximo ônibus chegou.

                Não houve uma troca de felicitações, gritos ou falsos votos de felicidade. Não houve presentes sólidos. A única coisa que existiu foi o destino unindo dois aniversariantes em seu mês que deveria ser o mais especial, mas não lhes deu desejos ou escolhas, somente deu o que era capaz de dar: um pouco de sujeira e o companheirismo de risadas compartilhadas. 


2 comentários:

Felipe Trevisan. disse...

"não notou um indivíduo correndo em desespero para não perder o veículo e, consequentemente, aquela terrível prova de matemática que lhe aguardava.

O encontro dos corpos não pôde ser evitado. Caíram no gramado lamacento por conta da chuva do dia anterior. O ônibus se foi, assim como os fones e qualquer indício de limpeza que poderia existir."

A. MINHA. CARA. Hahauahuahuahau.
Não posso com essas coisas não, Dinezoca. Principalmente quando tou emo. Nem sei como agradecer direito, sua linda. Muito, muito, muito, muito obrigado. <3

Dine disse...

LIPEEEEEEEEEEEEEEEEEE, nhaw, seu lindo. E você é emo QQQ E feliz aniversário dois dias adiantados kaokssksk <3

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