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31 de agosto de 2012

Até mais, (e obrigado pelos peixes!)



O sol descia pelo horizonte, um brilho discreto o cobria. Não queria chamar a atenção, apenas se despedia daqueles bondosos o bastante para observá-lo partir.

Levava com ele a angústia. A lentidão do tempo e os dias inconstantes que não gostariam de passar. Levava com ele um mês agridoce que demoraria um bocado, mas que iria voltar.

O jovem que o via ir embora não sorriu. Estava sentado em cima de um muro de cores alaranjadas, um livro fino em seu colo. Havia o terminado minutos antes e preferiu continuar ali por mais alguns instantes. Seu robô preferido, o tal do Marvin, tinha acabado de ser desligado para sempre. Eram muitos finais para se refletir.

Acabara o livro. Acabara o robô. O sol terminava seu turno e levava com ele aquele mês de que costumava não gostar. A neutralidade e a suavidade que lhe forçavam uma calma que não estava acostumado. Bem, talvez aquele final em específico não fosse tão ruim. Na verdade, pelo contrário. Permitindo-se um sorriso, jogou um pensamento ao vento para ser levado na bagagem daquele de que tanto desgostava.

“Até mais, Agosto. E obrigado pelos inícios.”


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