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13 de março de 2012

Sou a favor da ditadura da ordem


Enquanto indivíduo, eu prefiro ideologias a favor do positivo, do bem. Que o antagonismo continue apenas nas histórias, que os racionais se ocupem de si próprios e dos que não são.

Enquanto pessoa, eu prefiro que o belo suplante o estético, que o abstrato tenha um significado palpável, que o indefinido seja limitado e que o ilimitado seja definido.

Enquanto criança que se recusa a crescer, eu prefiro acreditar nas utopias, que a impossibilidade de ser o que não se é não alcance os sonhos, que as responsabilidades existam num futuro distante e que o bicho papão seja conservador e continue embaixo da cama.

Sou a favor da diarquia do amor e da amizade, que seus reinados sejam prósperos, sem desespero ou desilusão. Que as pessoas deixem os inoportunos de lado, que esqueçam seus dogmas e nunca se lembrem do que são pré-conceitos.

Sou a favor do socialismo da justiça, que o tal do direito mostre para o que veio, que a lei de Talião seja modificada, ou melhor, que nem seja necessária e que a liberdade de crença individual seja respeitada, o Estado sendo laico ou não.

Sou a favor da oligarquia dos sentimentos, que a paz seja imutável, que a esperança persevere, que a diarquia mostre-se presente e que a felicidade doe-se a quem lhe quiser.

Sou a favor da democracia das opiniões, chegou a hora de votar no conveniente, de escolher como se sentir em relação ao restante, de beijar as filosofias do passado e de apostar nas teorias futuristas.

Sou a favor da aristocracia das lembranças, que só as mais ricas sejam memoráveis, que para serem lembradas, com o passar do tempo, se transformem em lindas histórias, sem se esquecer do beijo de nostalgia ao seu final.

Mas principalmente, sou a favor da ditadura da ordem, que o caos não passe de uma previsão mal feita, que eu não seja considerada uma ameaça por ser canhota e que o positivismo entre na luta, sem que a mais-valia seja esquecida.

E o progresso, sim o progresso, que esse continue em segundo plano.

Amém.

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